Hoje foi daqueles dias em que tudo parece dar certo, até que o desastre ocorra impedindo a felicidade de um judiado torcedor fanático. Tudo estava de acordo, a fila indicava que a multidão tinha decidido aglomerar-se afim de assistir ao espetáculo.
Confesso que não esquecerei minha saída do saguão. A torcida erguia pulsantemente milhares de bexigas, a festa estava preparada para alegrar o aniversariante. As bexigas chegavam momentaneamente a formar um desenho, era um mosaico a ser executado. O Time devia estar confiante, pronto para jogar com a torcida e vice-versa.
E então, novamente ocorreu. Foi nessa última tarde ensolarada de domingo que a torcida exerceu mais uma vez o seu péssimo papel, mostrando por que adora ser chamada de modinha. O espetáculo que quase trouxe o Morumbi ao chão, sumia aos poucos com o decorrer do jogo. O silêncio ia tomando conta dos arredores da arquibancada, parece ser impossível, mas acontece, 40 mil pessoas caladas com um jogo morno a ser disputado.
O gol do adversário só viria a selar o túmulo. Nem mais o "Parabéns a você" ou o "Atirei o pau no gato", ou qualquer canto simples e ridículo desenvolvidos especialmente para os turistas são paulinos eram entoados. Mas a sonora vaia ainda viria, se não fosse pela agitação da torcida adversária e meu nervosismo, confesso que tinha silêncio suficiente para dormir e até mesmo chegar a roncar.
Alguns xingavam enquanto outros tentavam conferir as últimas notícias do dia. As mulheres colocavam as fofocas em dia e os homens discursavam sobre o algum outro assunto mais interessante. O São Paulo Futebol Clube morria melancólicamente diante de meus olhos. Um cara não muito distante do presente tricolor lembraria que não era um teatro, ledo engano, estavamos todos naquela platéia esperando alguma mudança no show.
Ainda não sei como fiquei rouco. Me pego vizualizando a imagem de um idiota gritando sozinho, sem motivo, apenas por gritar, tentar esquecer a multidão de alienados que ali estavam, mal sabia eu que, "Um bando de loucos" viria me reduzir a zero, outra vez pra variar ...